EDITORIAL    
     

Mais uma vez nos dirigimos a vocês na expectativa de lhes oferecer informação, conhecimento, noticias sobre temas que julgamos importantes a todos que se interessam por questões de luto, em suas diversas perspectivas.

Todos nós brasileiros começamos o ano estarrecidos com o processo de destruição gerado pelos desastres ambientais que atingiram diversas regiões do país. Lamentavelmente, a previsibilidade da ocorrência desse tipo de desastre só ressalta a necessidade de preparo dos diferentes segmentos envolvidos, para prevenção primária, secundária e terciária. Medidas são prometidas, pessoas continuam desabrigadas, comunidades inteiras deixaram de existir e muito da ajuda oferecida não pode ser efetivamente utilizado, por dificuldades de organização para esse fim. Não foi mesmo um bom começo de ano.

Agora em março começamos a 8ª turma de alunos para especialização ou aprimoramento em Teoria, Pesquisa e Intervenção em Luto. Começamos também mais uma turma, a 3ª, do curso de extensão Teoria do Apego e Psicoterapia. Ambas as experiências têm sinalizado que temos sido sensíveis às demandas dos profissionais que buscam ampliar conhecimentos e agregar qualidade à sua prática. Mais uma vez recebemos alunos de diversos estados brasileiros, o que contribui para a disseminação do conhecimento neste Brasil, carente de tantos recursos que promovam melhora na qualidade de vida de seus cidadãos.

Falando em cursos, primeiro semestre e julho trarão cursos em Psico-Oncologia, Atenção e Intervenção em Crises de Emergência Pós-Desastre (Módulos I e II), Luto (Módulos 1 e 2). São cursos muito procurados e recomendamos aos interessados que não deixem para fazer suas inscrições em cima da hora, pois correm o risco de perder a vaga.

Em 2011, o Grupo IPE – Intervenções Psicológicas em Emergências celebra uma década de existência. Estamos preparando uma bela surpresa para aqueles que se interessam em aprender mais sobre nossa experiência em situações de emergências, eventos críticos, desastres.

Estes 10 anos do Grupo IPE solidificaram uma experiência iniciada em 1996, com os psicólogos do Laboratório de Estudos e Intervenções sobre o Luto – LELu, da PUC-SP,

 

onde importantes trabalhos científicos foram realizados, a par com atuações cuidadosas e corajosas. Saiba mais sobre o IPE no site do 4 Estações.

Notamos nos últimos meses de 2010 e neste inicio de 2011 um bom número de filmes que abordaram questões relativas à morte e ao luto. Destacamos “Além da Vida", dirigido por Clint Eastwood, “A Árvore”, de Julie Bertucelli. O crítico de cinema do jornal O Estado de São Paulo, em 6/1/2011, já chamava a atenção para o tema da morte como uma tendência no cinema atual. Clint Eastwood traz indagações sobre o que acontece depois da morte, enquanto Julie Bertucelli nos fala com a beleza peculiar ao seu trabalho (já visto no filme “Otar”) o quanto o luto se assemelha ao exilio, como uma viagem que nos arranca do outro, ao mesmo tempo que queremos nos manter vinculados a esse outro, à vida conhecida.Você viu esses filmes? Queremos saber sua opinião, escreva para nós!

Ainda no campo das Artes, queremos destacar o belo e sensível livro de Ziraldo, “Menina Nina”, que fala da morte de uma avó, como foi vivida por sua neta, Nina. Pois essa tocante história transformada em peça de teatro agora está em cartaz, até 10/4/2011, no Teatro do SESC Pinheiros, em São Paulo. Diz Ziraldo, no programa da peça: “Nossa primeira neta precisava que seu avô lhe contasse seu jeito de entender a presença da morte em nossas vidas”. Ele contou de um jeito amoroso que sabe usar para falar de coisas sérias com as crianças, mas podemos dizer que contou algumas coisas que fizeram sentido para os adultos também.

Então, fique conosco nesta edição do Boletim Eletrônico do 4 Estações e nos acompanhe em nossas iniciativas, perguntas, propostas.

Boa leitura!

 
Gabriela Casellato,
Luciana Mazorra,
Maria Helena Franco,
Valéria Tinoco
 
  AGENDA DO 4 ESTAÇÕES
   
ESPECIFICIDADES DA ATUAÇÃO DO PSICÓLOGO EM PSICO-ONCOLOGIA
  Data: 20 e 21 de maio de 2011
   
ATENÇÃO E INTERVENÇÃO EM CRISES DE EMERGÊNCIA PÓS-DESASTRE (Módulos I e II)
  Data: de 11 a 15/7/2011
   
O PROCESSO DE LUTO (Módulos I e II)
  Datas Módulo 1: de 18 a 22/7/2011
  Datas Módulo 2: de 25 a 29/7/2011
   
 
  AGENDA
   
8 e 9/4. IV Encontro do NIPPEL - Nucleo Interdisciplinar de Pesquisas em Perdas e Luto. “O cuidar no processo do morrer: equilibrando sintomas, conforto e emoções”
Local: Escola de Enfermagem, USP. Av. Dr. Enéas de Carvalho Aguiar, 419 - São Paulo (Próximo ao metro Clínicas)
Informações: Serviço de Cultura e Extensão - Fone/Fax: 3061-7531
e-mail: scex@usp.br
   
13 a 16/4. 7º Congresso Paulista de Geriatria e Gerontologia
Santos, SP.
Informações:
www.sbgg-sp.com.br/gerp2011
   
   
17 a 20/4. VI Congresso Brasileiro de Ciências Sociais e Humanas em Saúde
São Paulo, SP.
Informações:
contato@cienciassociaisesaude2011.
com.br
   

11 a 14/5. 7º Congresso Norte-Nordeste de Psicologia
Local: Centro de Convenções da Bahia
Salvador - Bahia.
Informações: Tel: (71) 3494.2838
e-mail:
conpsi2011@taticcaeventos.com.br

   
   
13 e 14/6. 1º Fórum de Oncologia Pediátrica do Rio de Janeiro - Atenção Integral da Criança com Câncer: Do Diagnóstico Precoce ao Tratamento
Rio de Janeiro, RJ.
Informações: www.foprio.org.br
   
22 a 25/6. 33ª Reunião Anual da ADEC – Association for Death Education and Counselling e 9º Congresso Internacional de Luto na Sociedade Contemporânea
Miami, EUA.
Informações: www.adec.org
   
 
 

GRIEF AND BEREAVEMENT IN CONTEMPORARY SOCIETY

Org.: Robert A. Neimeyer, Howard Winokuer, Darcy L. Harris e Gordon Thornton

Este livro já se encontra à venda on-line, em
www.routledgementalhealth.com/death-dying-and-bereavement, mas será oficialmente lançado na 33ª Reunião Anual da ADEC – Association for Death Education and Counselling e 9º Congresso Internacional de Luto na Sociedade Contemporânea, em Miami, junho de 2011.

Neste livro, Maria Helena Franco escreveu em co-autoria com P. Kristensen um capítulo sobre luto resultante de situações de desastres.

   


 

A DOR DA REJEIÇÃO

(publicado em 29/3/2011, no Boletim da FAPESP)

Agência FAPESP – A dor da rejeição não é apenas uma figura de expressão ou de linguagem, mas algo tão real como a dor física. Segundo uma nova pesquisa, experiências intensas de rejeição social ativam as mesmas áreas no cérebro que atuam na resposta a experiências sensoriais dolorosas. “Os resultados dão novo sentido à ideia de que a rejeição social ‘machuca’”, disse Ethan Kross, da Universidade de Michigan, que coordenou a pesquisa. Os resultados do estudo serão publicados esta semana no site e em breve na edição impressa da revista Proceedings of the National Academy of Sciences.

“A princípio, derramar uma xícara de café quente em você mesmo ou pensar em uma pessoa com quem experimentou recentemente um rompimento inesperado parece que provocam tipos diferentes de dor, mas nosso estudo mostra que são mais semelhantes do que se pensava”, disse Kross. Estudos anteriores indicaram que as mesmas regiões no cérebro apoiam os sentimentos emocionalmente estressantes que acompanham a experiência tando da dor física como da rejeição social. A nova pesquisa destaca que há uma interrelação neural entre esses dois tipos de experiências em áreas do cérebro, uma parte em comum que se torna ativa quando uma pessoa experimenta sensações dolorosas, físicas ou não. Kross e colegas identificaram essas regiões: o córtex somatossensorial e a ínsula dorsal posterior.

Participaram do estudo 40 voluntários que haviam passado por um fim inesperado de relacionamento amoroso nos últimos seis meses e que disseram se sentir rejeitados por causa do ocorrido. Cada participante completou duas tarefas, uma relacionada à sensação de rejeição e outra com respostas à dor física, enquanto tinham seus cérebros examinados por ressonância magnética funcional.

“Verificamos que fortes sensações induzidas de rejeição social ativam as mesmas regiões cerebrais envolvidas com a sensação de dor física, áreas que são raramente ativadas em estudos de neuroimagens de emoções”, disse Kross.

O artigo Social rejection shares somatosensory representations with physical pain (doi/10.1073/pnas.1102693108), de Ethan Kross e outros, poderá ser lido em breve por assinantes da PNAS em www.pnas.org/cgi/doi/10.1073/pnas.1102693108.

 

O LUTO INFANTIL EM DESASTRES

Após os deslizamentos e enchentes que assolaram o país neste verão alguns veículos de comunicação disseram que as crianças que passaram pela catástrofe estavam bem ou pareciam não abaladas. Quando os adultos veem as crianças brincando após uma tragédia em suas vidas é comum considerarem que elas não estão sofrendo ou se dando conta do que aconteceu. É importante discutirmos esta questão e evitarmos que as crianças sejam negligenciadas. Elas sofrem com as catástrofes e tem suas vidas profundamente impactadas pelas inúmeras perdas que podem acompanhar tais vivências: entes queridos, perda de amigos, casa, rotina, escola.

Ao aparentar não sofrer, a criança pode estar utilizando o mecanismo de defesa de negação. Este poderoso mecanismo permite que a criança brinque e até se divirta, mesmo quando está passando por um período difícil. “Esquecer” temporariamente os problemas e conseguir brincar é um processo normal e saudável, não significando que não haja sofrimento, mas apenas que, naquele instante em que ela está brincando, a realidade fica temporariamente ausente ou suspensa.

Além disso, muitas vezes é por meio da brincadeira que a criança tenta assimilar e compreender situações traumáticas e desorganizadoras. Estas situações, tão difíceis de serem enfrentadas por um adulto, são um desafio ainda maior para uma criança, por estar em desenvolvimento cognitivo e emocional e ser dependente dos adultos para sua sobrevivência. Portanto, ela precisará também com mais intensidade que o adulto evitar entrar em contato com a dura realidade para poder sobreviver.

(Para ler este texto completo clique aqui)

Luciana Mazorra e Valéria Tinoco