EDITORIAL    
     
Neste 2º número do Boletim Eletrônico do 4 Estações, queremos inicialmente agradecer os inúmeros cumprimentos recebidos pelo nosso 10º aniversário. Muitos leitores ficaram contentes com esta possibilidade de leitura e fonte de informação, e isto nos entusiasmou ainda mais por manter a freqüência e ampliar a gama de assuntos.

Nesta edição, vocês encontrarão o resumo da dissertação de Mestrado do psicólogo Jorge Ramalho do Carmo, sobre uma questão polêmica, que está em discussão no Supremo Tribunal de Justiça em Brasília, DF. O abortamento de fetos anencéfalos precisa ainda ser muito discutido pela sociedade civil e seus inúmeros ângulos se desdobram na complexidade que o define. A contribuição do estudo de Jorge está em colocar o foco na experiência do luto não reconhecido dessa mãe (quase-mãe? não-mãe?) como mais um elemento de relevância a ser considerado na questão.

 

Outra novidade nesta edição é a seção de resenhas de livros. Valéria Tinoco nos apresenta a excelente trabalho da psicóloga Lana Veras de Carvalho, com o cuidado de preservar condições regionais, no respeito às necessidades da criança com câncer.

A agenda traz informações sobre eventos que trazem a este período de setembro e outubro a dificuldade de escolher de qual participar, pois todos são muito ricos em oportunidades de conhecimento e desenvolvimento. Sobre eventos já realizados, queremos chamar a atenção para o 1º Ciclo de Cinema e Reflexão “Aprender a Viver, Aprender a Morrer”, evento que congregou a 1ª Jornada de Cuidados Paliativos
e o 1º Ciclo de Cinema e Reflexão, organizado pela Academia Nacional de Cuidados Paliativos, Hospital Premier e outras entidades. Na ocasião foi homenageado, muito merecidamente, o Prof. Dr. Marco Tullio de Assis Figueiredo,

 
 AGENDA
   
26 a 28/09. VII Congresso Interdisciplinar de Assistência Domiciliar
Centro de Convenções Rebouças, São Paulo. Realização: HC-FMUSP e Instituto Racine. No dia 28, Gabriela Casellato participará da mesa redonda "A família do paciente em cuidados paliativos", e abordará o tema "O luto antecipatório: resposta da família ao sofrimento". Site: www.ciad.com.br
   
1 a 3/10. XVI Encontro Estadual
de Serviços-Escola

S
ão Paulo, SP. Organização: Clínica Psicológica da PUC-SP. Tema: "Perspectivas Clinicas: Desafios e Debates". Serão discutidas questões relacionadas a construção de saberes em situações clínicas, nos seguintes eixos temáticos: clínicas 
   
   
  serviços e compromisso ético político;
aprendizes da clínica nos diversos contextos; pesquisas clínicas e questões éticas; avaliação psicológica e suas demandas hoje; saúde mental e seus dispositivos nas clínicas serviço-escola.
Maria Helena Franco participará da mesa-redonda “Práticas Clínicas em Situações de Luto Traumático”. Informe-se, inscreva-se: www.pucsp.br/encontroservicosescolas
   
Dias 17 e 18/10. I Encontro de Psicologia em Terapia Intensiva
São Paulo, SP. Organizado pela Sociedade Paulista de Terapia Intensiva. Entre os temas em pauta estão: os limites e vicissitudes em
UTI, interdisciplinaridade em medicina intensiva e humanização em UTI. Site: www.sopati.com.br
   
   
18/10. Manejo de aspectos psíquicos na clínica de dor e cuidados paliativos em pediatria Instituto da Criança/FMUSP, São Paulo. Curso promovido pelo Centro de Apoio ao ensino e Pesquisa em Pediatria e IC/FMUSP, dirigido a profissionais e estudantes da área da saúde. Site: www.icr.usp.br
   
23 a 25/10. II Congresso Brasileiro sobre Morte e Morrer Brasília, DF. Organizado pelo Instituto Agilitá, o evento terá como tema "A questão do olhar e do lugar sobre a morte", e contará com palestras de Maria Helena Pereira Franco e Gabriela Casellato. Site: www.institutoagilita.com.br
 

pelo muito que faz há anos pela área de Cuidados Paliativos no Brasil.

Nestes dez anos de existência do 4 Estações Instituto de Psicologia, tivemos oportunidade de conhecer pessoas muito dedicadas a aprender e desenvolver habilidades do trato das questões do luto, que nos procuraram em busca de conhecimento. Começamos com cursos breves até chegarmos ao curso de especialização e aprimoramento, que em 2009 iniciará sua 6ª turma. Além dele, também os cursos oferecidos no mês de julho têm atraído para São Paulo muitos profissionais dos mais diversos lugares do Brasil, assim como cursos temáticos, focalizados em um aspecto bem delimitado do luto. Achamos que chegou a hora de um reencontro e é o que nos propomos a fazer, dia 13 de dezembro de 2009. Queremos saber o que nossos ex-alunos estão fazendo, quais são suas realizações, seus projetos. Desse reencontro, nascerá um projeto que vem sendo gestado com carinho nas nossas reuniões científicas. Sim! Nós continuamos estudando! Temos nos reunido sistematicamente para discutir o conceito de luto complicado, que poderá ser sucedido por outro tema que desperte nosso interesse em conhecer melhor, para levar aos nossos alunos melhores possibilidades de compreensão e aplicação na clínica e na pesquisa.

Portanto, se você é ex-aluno do 4 Estações, reserve a data em sua agenda: 13/12/2008. Nas próximas edições do Boletim Eletrônico você saberá mais.

Até breve!

Gabriela Casellato,
Luciana Mazorra,
Maria Helena Franco,
Valéria Tinoco

  AGENDA DO
  4 ESTAÇÕES
   
De 24 a 28 de Novembro
fique atento (a): terá início a 1ª fase (inscrições) do processo seletivo para o Curso de Especialização e Aprimoramento: Teoria, Pesquisa e Intervenções em Luto/2009. As entrevistas seletivas serão entre os dias 01 a 12/12 e os resultados serão informados, para matrícula, de 15 a 19/12. A 2ª fase da seleção, se houver vagas, terá início em 02/02/2009.
   
Dias 28, 29 e 30/11 Curso de Psicologia em Emergências - Módulo 1. Se você tem interesse em conhecer ou trabalhar neste campo, não perca esta oportunidade.
Informações adicionais no site do 4 Estações
   
 
 
O livro Dudu vai ao hospital: compartilhando vivências de crianças com câncer, de Lana Veras de Carvalho (Teresina, Ed. Halley, 2006), fala à criança com câncer sobre seu tratamento usando uma linguagem simples e direta, sendo um bom instrumento para ajudar na comunicação entre adultos e crianças acerca desta experiência. Seu diferencial está na preocupação da autora em contextualizar os aspectos de saúde, diagnóstico e tratamento do câncer na realidade sócio-cultural do nordeste brasileiro.
Trata-se de um livro único, que favorece a identificação das crianças desta região com os personagens da história, ajudando-as a sentirem-se reconhecidas e apoiadas. As ilustrações de Meire Fernandes permitem uma comunicação próxima ao universo da criança e são esteticamente perfeitas para esse objetivo. (resenha por Valéria Tinoco)
     

HOSPICE E CUIDADOS PALIATIVOS: UM DIREITO HUMANO. Este é o tema do Dia Mundial dos Hospices 2008, a ser celebrado em 11 de outubro. A data foi instituída para que profissionais envolvidos no movimento hospice possam compartilhar informações e idéias para ampliar seu campo de ação. Trata-se também de uma oportunidade para sensibilizar e apresentar ao público leigo esta importante iniciativa. Todos os anos cerca de 70 países participam das atividades por meio de campanhas, mobilizações políticas e debates públicos. A Associação Brasileira de Cuidados Paliativos promoverá um evento, no dia 11 de outubro, em São Paulo, para marcar esta data. O encontro contará com o apoio do 4 Estações Instituto de Psicologia e do LELu- Laboratório de Estudos e Intervenções sobre o Luto, da PUC-SP.
Informe-se: www.worldday.org/partners.asp e www.cuidadospaliativos.com.br. As vagas são limitadas. Inscreva-se gratuitamente em secretaria@cuidadospaliativos.com.br

CONCURSO DE DESENHO. O Centro de Oncologia e Hematologia do DISTRITO FEDERAL (ONCOCENTER) está promovendo seu 1º Concurso de Desenho, cujo vencedor terá sua obra eleita como Logomarca da Caminhada “Câncer Tem Cura”. Esta será realizada no próximo dia 09 de novembro, por ocasião das celebrações alusivas ao primeiro aniversário do Oncocenter do Hospital Santa Helena, Brasília, DF. Inscrições: de 10/09 a 09/10. O vencedor será anunciado no dia 15/10. Informações sobre normas e critérios para participação: (61) 3215–0200 e 3215 -0250.

     
O PROCESSO DE LUTO NA INTERRUPÇÃO DA GESTÃO POR FETO ANENCÉFALO. Jorge Ramalho do Carmo (jorge_ramalho@uol.com.br)
Mestrado em Psicologia Clínica, PUC-SP, 2008
No processo de luto não reconhecido existe pouca ou nenhuma oportunidade
de expressão pública para facilitar o processo de luto, com poucas chances de compartilhamento do pesar. As patologias fetais incompatíveis com a vida fora do útero são perdas que se concretizam durante a gestação ou logo após o parto, não sendo consideradas socialmente significativas, pois é como se a mãe não tivesse tempo de vincular com o bebê. Esta pesquisa teve por objetivo analisar e compreender o processo de luto por meio de um estudo de caso relacionado à interrupção da gestação por feto anencéfalo, identificando características e particularidades como a posição da Igreja e do apoio familiar e social neste tipo de perda. Foi realizado num hospital da rede pública em São Paulo. A participante foi uma mulher que interrompeu a gestação de feto anencéfalo, entrevistada a partir de um roteiro semi-estruturado. Por meio da análise de conteúdo, as informações foram discutidas e o processo de luto foi caracterizado a partir da peculiaridade da perda por anomalia fetal letal e interrupção da gravidez. Observou-se que as características da história da gestação influenciam no desenvolvimento do processo de luto, bem como a dificuldade dos profissionais de saúde no manejo de pacientes nesta situação. Desde o diagnóstico até o período de internação existe uma lacuna na assistência que deixa a mulher sem orientação e suporte emocional frente a essa perda. O luto não reconhecido tem, então, sua sintomatologia intensificada, sofrendo influências do tipo de apoio que a família consegue oferecer e também de como se caracteriza o apoio religioso. Este estudo possibilitou perceber carências na assistência a essas mulheres, em seu processo de luto não reconhecido. Fatores determinantes da realidade brasileira incluem o apoio da igreja, a postura dos profissionais de saúde dos serviços de referência, o apoio familiar e a estrutura da pessoa. Refletir a respeito destes tópicos é uma possibilidade de se pensar na qualidade da assistência a estas mulheres e da continuidade do apoio durante o processo de luto.