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| Para
pais que perderam filhos |
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A
dor de perder um(a) filho(a) é para sempre? |
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A perda de um filho implica num tipo muito
particular de luto, pois solicita adaptações
tanto sob os aspectos individuais de cada
um dos pais no enfrentamento desta situação,
como em adaptações na relação
com o(a) esposo(a), no sistema familiar e
na sociedade.
Quando perdemos um filho perdemos nossa perspectiva
de futuro pois é neles que garantimos
a possibilidade de realizar todos os sonhos
e projetos que não conseguimos em nossas
próprias vidas. Um filho não
é apenas uma extensão biológica
de seus pais, mas também psicológica,
por isso temos a sensação que
perdemos um pedaço de nós.
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Estou ficando
louco? |
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O
luto por um filho é marcado por muita
culpa e revolta, e por algum tempo chegamos
a"brigar" com Deus, por não
conseguir entender (aceitar) o porque de estar
vivendo uma dor tão intensa.
As reações
ligadas à perda de um filho dependem
de alguns fatores como:
a relação prévia entre
pais e filho. Por exemplo: quando existem conflitos
no relacionamento, os pais sentem-se mais culpados
após a perda de seu filho.
a idade do seu filho: não existe uma
idade pior, mas em cada etapa da vida existem
fatores que dificultam a elaboração
da perda, como por exemplo na adolescência,
fase em que existe maiores chances de conflitos
entre pais e filhos.
as circunstâncias da perda: o que aconteceu,
como aconteceu, as causas da perda.
Um número
grande de sintomas fisiológicos podem
acompanhar as reações psicológicas
e sociais dos pais, como por exemplo: anorexia,
distúrbios gastrointestinais, perda de
peso, insônia, cansaço excessivo,
choro, palpitações, estresse,
perda do desejo sexual ou hipersexualidade,
falta de energia e retardo psicomotor, respiração
curta. |
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E o que acontece
no casamento? |
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O
casamento sofre um grande impacto com a perda
de um filho. As características do relacionamento
obviamente serão afetadas pela maneira
como cada um dos parceiros expressa sua dor.
A comunicação tende a complicar-se
pois a mãe pode sentir-se sozinha em
seu luto, enquanto o pai pode ver-se lutando
para conter sua dor a fim de poupar o sofrimento
da esposa. Estas tentativas de evitar o sofrimento
do outro, muitas vezes gera um distanciamento
tão grande nos casais, que não
é incomum ocorrerem separações
após a perda de um filho.
Não basta
a perda do meu filho(a). Estou sofrendo muito
por outras mudanças. Por quê?
Quando perdemos
um filho, perdemos também todas as suas
funções explícitas e implícitas
dentro do funcionamento familiar, por exemplo:
companheiro da mãe, o "bode expiatório",
o apaziguador, etc. Neste momento, podem ocorrer
outros tipos de perda, como a separação
dos pais, dificuldades financeiras após
os gastos com o funeral. |
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O que eu faço
com meu filho que está vivo? |
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Não
é incomum os pais atribuírem qualidades
santificadas ao filho, como "o favorito",
"melhor", "mais sensível",
ou "especial". Isto pode intensificar
as experiências de luto dos pais, como
dos irmãos. Podem acontecer as comparações
entre os filhos vivos e o filho idealizado que
morreu. É bom lembrar que esta criança
também está sofrendo pois perdeu
um irmão e porque vê seus pais
sofrerem de forma tão intensa como se
ele não fosse capaz de amenizar dor nenhuma.
Isto pode trazer sérias complicações
para o desenvolvimento psicológico deste
irmão. Por outro lado os pais vivem sentimentos
ambivalentes em relação aos filhos
que "sobreviveram" pois sentem medo
de investir afetivamente nestes, ou por outro
lado, passam a superproteger, com medo de perder
estes também. Isto muitas vezes tem um
caráter de castigo por terem sobrevivido
no lugar do irmão morto. |
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Como posso
lidar com o meu luto? |
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Só
você sabe o que esta perda representou
para você, portanto respeite-a. Se você
entender o seu ritmo e seus limites para enfrentar
a adaptação a esta perda, você
irá lentamente se organizando diante
deste sofrimento. Esta dor é para sempre?
De certa forma sim, porque um vínculo
com um filho é único e para sempre,
mesmo que a distância. O que acontece
é que a ferida aberta passa aos poucos
a cicatrizar-se, mas nunca se apagará.
Você irá se alimentar desta dor
por muito tempo, mas aos poucos irá perceber-se
divertindo-se, produzindo, trabalhando, enfim,
vivendo novamente, mas não será
a mesma pessoa de antes, pois esta experiência
fará você rever uma série
de valores, crenças e comportamentos. |
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Qual é
a hora de pedir ajuda? |
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